Paz Interior

QUAL O DHARMA DE UM PROF. DE YOGA?

Prof. Elizabeth Wessler

Num momento de minha história de vida recente, pensei sobre o papel do prof. de yoga para a sociedade e principalmente para a ordem divina.
Parece uma pretensão de minha parte, mas na verdade é uma autorreflexão necessária para quem está no caminho da luz.
Sim, yoga é um caminho que nos remete a nós mesmos e com isso nos traz para dentro de nossa essência, que é amor puro, que é luminosa. Os indianos chamam de Atma, a essência divina.
Qual seria meu dharma, a lei natural ou o agir em harmonia com a minha natureza como profissional de yoga?
O que me cabe fazer?
Ao longo da nossa trajetória acumulamos muitos papeis: filho, pai, mãe, amigo, amante, profissional, empregado, patrão, cliente, aluno, mestre, etc.
Cada um tem uma natureza que deve ser respeitada. Mas, nem sempre observamos entre nós a coerência de nossas ações. Por exemplo, um pai deve agir com o filho de forma paternal e não como se fosse seu patrão. Se houver esse equivoco, ele não está cumprindo o seu dharma de pai e haverá desarmonia entre os dois. Da mesma forma um amigo deve cumprir seu dharma atuando de forma cordial, oferecendo seu apoio e tudo aquilo que sustenta a amizade. Os problemas surgem por não utilizarmos adequadamente o dharma não só em questões de relacionamentos, mas também na não aceitação da ordem que sustenta toda a criação, ou seja, um amigo agindo como se fosse um cliente diante do outro.
Depois de meditar e conversar com um mestre que convive comigo há muito tempo, chego à conclusão que cada pessoa, cada aluno que se dirige a mim com intuito de praticar yoga é um presente de Deus. E o meu papel é ajudá-lo, reconhecendo que através dele posso servir ao próximo. Ele me incentiva a aprender, pesquisar e me empenhar mais. Ele me oferece a oportunidade de exercitar todo conhecimento que em teoria adquiri e principalmente faz com que me humilde diante do Criador através dele, Sua criação. Aceitar o que vem para mim, mesmo que a princípio não tenha consciência do valor do que me é oferecido é uma atitude de entrega incondicional ao divino (íshvara pranidhána – o último preceito do código de conduta pessoal ensinado pelo sábio indiano Patanjali). Numa linguagem dos tempos de hoje, significa “deixar fluir” .
Quando passo a compreender esta verdade, qualquer fardo torna-se leve e o sentimento de gratidão e compaixão nutre minha alma. A sensação de bem-estar se assenta como se eu voltasse de uma longa viagem e finalmente estivesse em casa.
Mas, nem sempre estou no meu eixo e por esta razão oscilo entre o erro e o acerto, sendo que algumas vezes a queda torna-se inevitável e a dor de dentro ou de fora acontece…
Apesar do tombo, não me deixo abater, sigo em frente pelo caminho espiritual, com mais um ensinamento no bolso do peito, fazendo o melhor que posso…

Fonte: Revista O Atma 168 – Julho 2014
SORRIA COM SEU FÍGADO.

Pelo prof. Vanderlei Wessler.

Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, vivenciando uma ausência de perturbações e agitação.
Paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e, de um modo geral, de todos os sentimentos negativos.
Para desfrutarmos da paz com mais frequência e quase o tempo todo é necessário adentrar em nosso interior, porque lá dentro existe um lugar de sagrada quietude, de amparo, assistência e providência, o único lugar que só você pode entrar.
Geralmente, todos estes elementos são buscados fora, bem distantes de você e, claro, nunca você os encontra na sua inteireza.
Este lugar secreto e sagrado dentro de cada um, resguarda de todos os medos e angústias de toda esta existência e de todas as existências passadas. Afinal, dentro de nós existe um sorriso puro, simples, próspero e saudável, difícil de ser encontrado e revelado por causa dos medos e aversões, das mesmices e macaquices de uma mente que teima em ser profana e desatenta.
Porém, sabemos que podemos encontrar este lugar com a prática diária do silêncio, da contemplação das virtudes do corpo interno, que está na bênção de percebermos o quanto é agradável compartilhar o sorriso suave, principalmente com nosso fígado, permitindo-se perceber que ele sorri com você na mesma sintonia amorosa. Você já sorriu com seu fígado hoje? Você se permite sorrir com seu fígado? Pratique diariamente, como se você estivesse sorrindo amorosamente para uma criança. Feche os olhos e visualize seu fígado sorrindo e sorria da mesma forma para ele.
Mantenha-se neste estado de serenidade por algumas respirações, tranquilas e profundas.
Todos os sistemas do seu corpo estarão sendo renovados, como que milagrosamente, neste momento. Então você perceberá um estado de paz dentro e a sua volta que transbordarão em energia e gratidão para todas as pessoas que você ama e também para nosso planeta.
Esta é, sem dúvida, uma grande contribuição para o bem-estar do todo, em mim e em você. Namastê!

Criado em 7 de March de 2017